Tudo começou no Havaí. O cenário paradisíaco e cheio de turistas abastados se tornou a fórmula perfeita para a crítica social de The White Lotus, então minissérie de Mike White.
O grande sucesso da atração da HBO nos trouxe o inevitável: uma segunda temporada — que por um detalhe técnico, as presenças da favorita dos fãs Tanya McQuoid (Jennifer Coolidge) e do detestável Greg Hunt (Jon Gries), não pode ser taxada como antologia e passou a ser uma série.
Quando desembarcamos na Sicília e seus encantos, o que se sobressaiu foi uma espécie de revanche dos locais contra os forasteiros, com fins felizes para as italianas em cena.
Agora, na terceira temporada, o destino é outro: Tailândia. Diferentemente dos locais europeus, que souberam tirar proveito dos turistas norte-americanos, os asiáticos estão em posições muito mais subalternas e passivas. Em verdade, este é o maior problema da nova leva de episódios de Mike White: o pouco espaço para os trabalhadores do resort.
Mook (a superstar Lalisa Manobal, também conhecida na música como Lisa) tem um arco tão enfadonho que se resume ao desejo de crescimento profissional do seu interesse amoroso, o Gaitok (Tayme Thapthimthong). Sritala Hollinger (Lek Patravadi) é uma figura mais interessante, mas não chega a ter uma história com grande apelo.
Boa parte do espaço não é preenchido por tailandeses, mas por gente de fora que está ali para trabalhar. É o caso do gerente Fabian (Christian Friedel), que nunca diz a que veio na história, e um grupo de russos ladrões que está ali só para alimentar o ódio do mundo a qualquer pessoa que nasceu na terra de Dostoiévski.
O morador local com arco satisfatório é Pornchai (Dom Hetrakul), que vira par romântico de Belinda (Natasha Rothwell). A personagem, que volta após ter feito muito sucesso na primeira temporada, é a demonstração perfeita do quanto o dinheiro corrompe. Ela faz agora com Pornchai o que outrora Tanya fizera com ela. De certa forma, é um ciclo que se fecha da melhor maneira possível — ainda que a volta de Belinda ou Greg no futuro não seja ruim, a história de ambos ganhou um desfecho ótimo e em total sintonia com a mensagem da série.
De modo geral, os hóspedes cumpriram o seu papel. Todavia, não trouxeram nada de novo. Houve, sim, toda uma comoção fora das telas por causa da cena de incesto — convenhamos, nada de tão ousado assim considerando que o programa é da HBO.
Entre as atuações, a única que se destaca negativamente por ser muito caricata é a de Parker Posey, que vive a matriarca Victoria Ratliff.
Leia a crítica de The White Lotus S2
Para um novo ano e novo destino, espera-se que Mike White sacuda um pouco as estruturas da série. A mágica atual ainda é capaz de produzir seu encanto, mas não sabemos até quando.
Nota (0-10): 6
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