Se há um segmento de atração em excesso nos Estados Unidos, certamente é aquele ligado a investigações policiais. Num cenário com tantas produções, dois nomes fazem despertar algum interesse pela minissérie Under the Bridge: a recém indicada ao Oscar Lily Gladstone — que usa os pronomes feminino e neutro — e Riley Keough, que brilhou bastante e cantou belamente em Daisy Jones & The Six.
São protagonistas em momentos altos da carreira que conduzem a trama criada por Quinn Shephard com base em um crime real ocorrido nos anos 1990.
O assassinato da adolescente Reena Virk, uma canadense de ascendência indiana, aterrorizou a população local e serviu de material para o livro Under the Bridge, de Rebecca Godfrey — escritora interpretada por Keough na minissérie.
Com farto material prévio sobre a história, o mistério de quem cometeu o assassinato não é um chamariz. Tanto assim que na metade dos oito episódios já sabemos a autoria do crime.
Cabe aos demais aspectos do enredo carregarem a trama. Infelizmente, fazem isso com sofreguidão.
Há muitos personagens sem carisma, muita rebeldia sem sentido, muito mais do mesmo. O aspecto da xenofobia, obviamente existente no contexto familiar de Virk, parece não se encaixar bem no roteiro, há uma certa indecisão do quanto o racismo faz parte do homicídio.
A teimosia de Godfrey em defender um dos agressores por causa do seu próprio passado chega a níveis absurdos. Como público, é difícil não se irritar com a personagem e sua falta de ética.
Bem verdade, é fácil ter animosidade com a maioria dos personagens. Isso dificulta gostar da minissérie como um todo, já que não há nada nela que consiga se sobressair. A direção funciona, a fotografia é decente, o roteiro não chega a ser dos piores. Entretanto, isso não é o suficiente para qualquer produção se destacar em meio a tantas lançadas semanalmente.
Nota (0-10): 4
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