Disruptiva. Black Mirror fez muito sucesso com suas primeiras histórias que misturavam terror e tecnologia — tanto que migrou para a Netflix para virar sensação global.
Com o reinício na casa nova, tivemos uma quantidade anabolizada de episódios. Na quinta temporada, todavia, voltamos aos habituais três do começo.
O número lembrava os de outrora, a qualidade, não. Havia algo de mundano neste universo antes espetacular.
Muitos anos depois, com certa dúvida de cancelamento ou não, Black Mirror está de volta. A criação de Charlie Brooker entrega uma sexta temporada com cinco episódios que parecem implodir de vez o prestígio que era aliado ao nome da produção.
Não que as histórias sejam horríveis. Só não são, em sua maioria, Black Mirror.
Começamos com Joan is Awful. O capítulo não é nada excepcional, mas tem a vantagem de ser o primeiro dos dois únicos a carregar o DNA da atração. Somos transportados para uma realidade onde a inteligência artificial consegue produzir ficção baseada na realidade em velocidade surpreendente. Isso é aliado à invasão de privacidade de clientes que assinaram termos de consentimento sem ler — nada mais real do que isso — e a confusão está instaurada.
A partir de Loch Henry, a antologia foca seu olhar de um modo ou de outro no passado — e descarrilha completamente.
Até mesmo em Beyond the Sea, indiscutivelmente a melhor história desta leva, é adotada uma estética do século passado, fazendo com que pareça outra atração de mistério qualquer. Isso não diminui a potência das atuações de Aaron Paul e Josh Hartnett, dupla que espero ver lembrada em alguma premiação. Detalhe: tivemos mais uma aparição rápida e bombástica de Rory Culkin, que já deu o que falar em Swarm.
Se até então a minissérie estava capenga, Mazey Day e Demon 79 conseguem selar o caixão. Lobisomens e demônios entram em cena e provam que a atração foi completamente descaracterizada, infelizmente. São ações tão mornas que nem a crítica social salva o material.
Leia a crítica de Black Mirror S5
Esperamos tanto por uma nova temporada e ganhamos um bolo de cereja quando fora pedido um de chocolate. Pode até ser meio gostoso, mas é o bolo errado.
Nota (0-10): 3

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